10 dicas de livros nacionais para você se aventurar

10 dicas de livros nacionais para você se aventurar
Eles podem ser grandes, pequenos, velhinhos, bem diagramados ou com edições pra lá de especiais. Em comemoração ao Dia do Livro, nós listamos 10 dicas de livros nacionais para você se aventurar. É inegável que um bom livro pode se transformar em uma ótima companhia quando se trata de conhecer novas histórias e levar para si o que foi aprendido ao longo daquelas páginas. Desde os primórdios, há mais de 2500 anos, a literatura mostrava sua força através das tragédias gregas produzidas por Ésquilo, Sófocles e Eurípedes com o pressuposto de que tudo aquilo resultava numa catarse da audiência, explicando então, o motivo dos humanos apreciarem o sofrimento dramatizado. No Brasil, por sua vez, os textos tiveram seus primeiros registros já em 1500, quando os portugueses decidiram escrever suas respectivas impressões acerca da nossa terra descoberta e os povos que aqui habitavam. É importante ressaltar que temos dois períodos subdivididos que acompanharam a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e Era Nacional, separadas pelo período de Independência em 1822 e marcada pelos crescentes movimentos conspiratórios sintomáticos no Brasil, como a Inconfidência Mineira, Revolução Pernambucana até Revolta dos Alfaiates – todas destacadas como manifestações de idéias liberais. Tais eras são divididas por escolas literárias que intercalam entre quinhentismo, barroco, arcadismo, romantismo, naturalismo, realismo, pré e pós modernismo, etc. Confira as dicas:

1 – A Mão e a Luva – Machado de Assis

A mão e a luva é o segundo romance de Machado de Assis, publicado em 1874. A história tem como protagonista Guiomar, mulher forte e ambiciosa, a qual representa mais uma figura machadiana que irá por em cheque a hierarquização da mulher na sociedade. Em contraste a ela há as personagens masculinas; Estevão, apaixonado por Guiomar, é frágil e choroso, um reflexo do Romantismo ainda em voga naquele momento, e Luís Alves, um homem indiferente às causas do coração. Por meio do clássico narrador intruso, a história dialoga todo tempo com o leitor, a fim de delinear um quadro de comportamentos pautados pelo orgulho e o amor.

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2 – Tu não te moves de ti – Hilda Hilst

A autora constrói três novelas distintas entre si, mas conectadas em linha de pensamento – em ‘Tadeu (da razão)’, o personagem homônimo é um empresário bem-sucedido, mas que ao chegar na crise de meia-idade passa a se questionar sobre a própria existência e a vida de aparências que leva em companhia da mulher, Rute; já no segundo conto, ‘Matamoros (da fantasia)’, relata a trajetória de Maria Matamoros, uma menina habituada desde muito cedo ao contato com os homens; e no conto que encerra o volume, ‘Axelrod (da proporção)’, retrata as especulações do professor Axelrod Silva, sobrinho de Haiága, sobre a roda axial da história. ‘Tu não te moves de ti’ versa sobre as inquietações mais profundas do homem, revelando suas falhas, maravilhas e obscuridades.

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3 – O Sol na Cabeça – Geovani Martins

Em sua obra de estreia, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais. Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes, sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.10 dicas de livros nacionais para você se aventurar

4 – As Meninas – Lygia Fagundes Telles

Não foram muitos os escritores que, no auge da ditadura militar no Brasil, abordaram em seus textos temas como a repressão e a tortura e escreveram obras de contestação como As meninas, de Lygia Fagundes Telles. Livro árduo, dolorido e lindo, As meninas relata os conflitos no relacionamento de três jovens que têm entre si um ponto em comum, a solidão, e como pano de fundo os governos militares. Três universitárias compartilham com algumas freiras um pensionato em São Paulo. Ana Clara gosta de um traficante e vive drogada. Lia briga contra o regime, Lorena, filhinha de papai, ajuda as outras duas com dinheiro. Lia se envolve com Miguel, que é preso e trocado por um diplomata. Sem ligar para a política ou as drogas, Lorena se apaixona por um médico casado e pai de cinco filhos. Um enorme espaço separa o universo das pensionistas e seus dramas das religiosas, que se apavoram com a liberdade das três moças. Cada uma das personagens é um poço de conflitos e monólogos interiores que vêm à tona através das confidências íntimas de cada uma e que se ligam à miséria política e cultural da época. O texto de Lygia Fagundes Telles não cai na vulgaridade, não se banaliza apesar do tema. A linguagem é coloquial e expressiva e os diálogos abandonam as conveniências formais. As meninas de Lygia são, afinal, as jovens do nosso tempo, saídas da adolescência e ingressando na plenitude da mocidade. Nada mais atual. Apontada pela crítica como um sucesso absoluto, As meninas é uma obra que resultou do esforço de três anos de trabalho dessa autora perseverante, que valoriza a palavra e mostra, através de seus textos, a luta de todos nós em defesa da liberdade.

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5 – Vidas Secas – Graciliano Ramos

Em Vidas Secas, o autor se mostra mais humano, sentimental e compreensivo, acompanhando o pobre vaqueiro Fabiano e sua família com simpatia e uma compaixão indisfarçáveis. Além de ser o mais humano e comovente dos livros de ficção de Graciliano Ramos, Vidas Secas é o que contém maior sentimento da terra nordestina, daquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados teluricamente. O que impulsiona os seres desta novela, o que lhes marca a fisionomia e os caracteres, é o fenômeno da seca. Vidas Secas representa ainda uma evolução na obra de Graciliano Ramos quanto ao estilo e à qualidade estritamente literária.

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6 – Capitães de Areia – Jorge Amado

A crueldade do universo adulto em confronto com a realidade de um grupo de meninos pobres, moradores de um trapiche abandonado, em Salvador, na década de 1930. Este é o cenário de “Capitães de Areia” (Companhia das Letras, 2008), do famoso autor Jorge Amado, que escreveu esta célebre obra sob a influência de sua militância comunista. O livro é atual, pois retrata a condição de muitos meninos de rua que ainda hoje sobrevivem de pequenos delitos e à margem do estrato social. Aqui, personagens como Pedro Bala, Pirulito, Professor, Gato, Sem-Pernas e Volta Seca lidam com um cotidiano de liberdade, desamparo e fragilidade de quaisquer outros meninos abandonados pelo Brasil afora. Publicado pela primeira vez em 1937, ano da instituição do Estado Novo, o livro foi considerado subversivo, tendo inúmeros exemplares queimados em praça pública. Este é o romance mais editado do autor, publicado em mais de 15 países, e que já ganhou versões em quadrinhos, teatro, cinema e em uma minissérie de TV.10 dicas de livros nacionais para você se aventurar

7 – Anarquistas, Graças a Deus – Zélia Gattai

Filha de anarquistas chegados de Florença, por parte do pai Ernesto, e de católicos originários do Vêneto, da parte da mãe Angelina, a escritora trazia no sangue o calor de seus livros. Trinta e quatro anos depois de se casar com Jorge Amado, a sempre apaixonada Zélia abandona a posição de coadjuvante no mundo literário e experimenta a própria voz para contar a saga de sua família.

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8 – Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa

Verdadeira enciclopédia do Sertão, este romance avança barrocamente para todos os lados, mostrando um narrador sertanejo que usa filosoficamente a linguagem, modificando-a para tentar dar vazão aos seus questionamentos interiores. Riobaldo narra para nos e para se convencer de sua inocência em relação a três episódios centrais: o pacto que ele teria feito com o diabo, o fato de amar em Diadorim (a guerreira travestida de jagunço) a mulher e não o homem e as mortes que ele comete na jagunçagem.10 dicas de livros nacionais para você se aventurar

9 – A Paixão segundo GH – Clarice Lispector

Esta obra conta o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco.10 dicas de livros nacionais para você se aventurar

10 – Cidade de Deus – Paulo Lins

O romance Cidade de Deus foi o livro de estreia do escritor Paulo Lins. A história contada se passa na favela Cidade de Deus, um dos maiores conjuntos habitacionais do Rio de Janeiro. A violência é uma constante ao longo da narrativa que tem como protagonistas os moradores em meio ao fogo cruzado das lutas pelo poder entre as facções criminosas e a polícia. O romance foi adaptado para o cinema em 2002, pelo cineasta Fernando Meirelles, e teve imenso sucesso de crítica e público.

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E você, já conhece algum? Conta pra gente nos comentários 😉

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