Dia do índio

“Temos que aprender a ser índios, antes que seja tarde. Devemos aprender com os povos indígenas como viver em um país sem destruí-lo, como viver em um mundo sem arrasá-lo e como ser feliz sem precisar de cartão de crédito. O encontro com o mundo índio nos leva para o futuro, não para o passado”. A fala do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro se faz ainda extremamente urgente e necessária hoje, no dia do índio.

O etnocídio desses povos a quem tanto devemos e com quem temos tanto a aprender, é pouco denunciada e muitas vezes omitida. A luta dos indígenas ainda encontra voz e ecos em espaços como as colunas da jornalista premiada Eliane Brum e o livro Povos Indígenas do Brasil publicado pelo Instituto Socioambiental.

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“Num contexto de defesa de territórios e exclusões sociais, as mulheres indígenas têm sido alvo de violências perversas baseadas em gênero, a exemplo de feminicídios, exploração sexual, tráfico de pessoas e agressões de outras naturezas que se acentuam na medida em que elas afirmam o seu protagonismo político em defesa dos seus povos e seus direitos”, declarou a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman. Relatos sobre maternidade, protagonismo feminino e mudanças climáticas fazem parte do livro “Povos Indígenas no Brasil”, conforme a reportagem divulgada pela Carta Capital.

Em sua coluna quinzenal, Eliane Brum denuncia continuamente a extinção dos índios brasileiros, que acontece num ritmo cada vez mais acelerado. Seus escritos nos lembram que há relatos de fome e de aumento de doenças em parte das aldeias, e que o fim do mundo chegou aos indígenas há mais de 500 anos. O texto sobre Aline Juruna, deixa clara a gravidade:

“É difícil explicar o que é etnocídio. Morte cultural de um povo. Parece sempre abstrato, coisa de antropólogo. Mas Luane Alice pode nos contar como um jeito de ser e de estar no mundo morre. E contar também que é bem menos abstrato do que parece. Há menos de dois anos, em setembro de 2015, a canoa onde eu navegava na Volta Grande do Xingu alcançou Muratu, a aldeia dos Juruna. Crianças indígenas saltavam do barranco para o rio, numa alegria que há muito eu não via em crianças urbanas. De fato, talvez nunca tenha visto em crianças urbanas. Por alguns instantes, elas voavam. Foi num ponto deste voo que o fotógrafo Lilo Clareto congelou a imagem de Alice, a mais animada delas. Hoje, a imagem segue existindo como arte. E como documento. Mas a vida já não existe.”

Alice Juruna, em fotografia de 2015, salta para mergulhar no rio Xingu. LILO CLARETO

Alice Juruna, em fotografia de 2015, salta para mergulhar no rio Xingu. LILO CLARETO

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